A COMUNICAÇAO NOS MOVIMENTOS SOCIAIS: EXERCÍCIO DE UM DIREITO…

Escrito por  //  1 noviembre, 2011  //  Artículos, Edición 82  //  Sin comentarios

cicilia

Resumen
Este texto discute a comunicação nos movimentos sociais e tem por objetivo situar a questão do direito à comunicação enquanto dimensão dos direitos humanos. É baseado em pesquisa bibliográfica. Refleti-se sobre a comunicação construída neste universo em seu processo educomunicativo. Conclui-se que a comunicação popular e comunitária expressa rica diversidade de práticas e contribui para a ampliação do status da cidadania.

Abstract
This paper discusses the social movements communication and seeking to situate the question of the right to communication as a dimension of human rights. Is based on bibliographical research. We take into consideration communication constructed in this universe and your educative/communicative process. As a conclusion we find that community and popular communication expresses a rich diversity of practices and contributes to enhancing the citizenship status.

A Comunicação nos Movimentos Sociais: exercício de um direito humano
Cicilia M.Krohling Peruzzo (Brasil)

1. A comunicação nos movimentos sociais

Movimentos sociais são articulações da sociedade civil constituídas por segmentos da população que se reconhecem como portadores de direitos, mas que ainda não são efetivados na prática. Aqueles de base popular se organizam na própria dinâmica de ação e tendem a se institucionalizar como forma de consolidação e legitimação social. Enquanto forças organizadas, conscientes e dispostas a lutar, são artífices de primeira ordem no processo de transformação social, embora um conjunto de fatores (liberdade, consciência, união) e de atores (pessoas, igrejas, representações políticas, organizações) se soma para que mudanças se concretizem.

Há várias categorias de movimentos sociais que, geralmente, são construídas a partir da origem da instituição que apóia ou os abriga (igreja, partido, sindicato, escola etc.), das características da natureza humana (sexo, idade, raça e cor – como, por exemplo, o movimento de mulheres, dos índios, dos negros, dos homossexuais, das crianças etc.), de determinados problemas sociais (movimentos de transporte, moradia, saúde, lazer, ecológicos, pacifistas, defesa dos animais, entre outros). São freqüentes também os movimentos construídos em função das conjunturas políticas de uma nação (a exemplo de insurreições políticas, revoltas, motins, revoluções etc.), assim como os surgidos a partir de ideologias – apesar da ideologia perpassar qualquer movimento –, tais como o anarquismo e o marxismo, que geram fluxos e refluxos conforme as conjunturas (Gohn, 2004, p.268-271). Outras classificações de movimentos sociais são destacadas por David Aberle (apud Gohn, 2004, p.267), que ressalta as iniciativas dos transformadores, dos reformistas, dos redentores e dos alternativos.

Manuel Castells (2000, v.2, p23-24) enfatiza que as identidades (necessárias na articulação dos movimentos sociais) organizam significados e podem ser classificadas legitimadoras (introduzidas pelas instituições dominantes no intuito de manter a dominação), de resistência (criadas por atores que se sentem ameaçados pela estrutura de dominação, como por exemplo as gangues) e identidades de projeto (forjadas por atores para construir uma nova identidade capaz de redefinir sua posição na sociedade e transformar a estrutura social).

Neste texto tomamos como base apenas os movimentos sociais populares brasileiros (das classes subalternas) que se caracterizam como transformadores e construtores de identidades de projeto. Com as devidas redefinições políticas características de um período histórico que restabelece as regras democráticas, o aperfeiçoamento da práxis dos movimentos e a criação de novos, bem como com o crescimento de Organizações não-Governamentais (ONGs), que por vezes acabam assumindo funções antes exercidas por movimentos sociais, o Brasil segue gestando suas forças políticas que se dividem em frentes combativas de caráter político-contestador e aquelas mais preocupadas em encaminhar soluções diante das violações dos direitos de cidadania e/ou participar das arenas de negociação normatizadas, tais como os conselhos setoriais. Trata-se de uma diversidade de movimentos que engloba desde o Movimento dos Trabalhos Rurais Sem Terra (MST), que desfruta de grande visibilidade pública, e outros como o Movimento Nacional dos Direitos Humanos (MNDH), a Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB) e as dezenas de organizações de mulheres, o Movimento Nacional do Direito à Moradia (MNDM) e suas ramificações em estados do Brasil, as várias articulações do movimento ecológico, além das centenas de outros grupos e ONGs de base social que desenvolvem trabalho social-educativo visando resolver problemas concretos de segmentos sociais que sofrem as conseqüências do desrespeito aos direitos fundamentais.

O significado dessas manifestações no âmbito da sociedade civil pode ser percebido mundialmente se prestarmos atenção à mobilização internacional em torno do Fórum Social Mundial (FSM), que tem como lema “Um outro mundo é possível”, e propõe um desenvolvimento que tenha o ser humano como força motivadora e destinatária de seus resultados. O elevado número de pessoas e de entidades que se reúnem anualmente desde 2001 nos fóruns para discutir e apresentar propostas alternativas de vida em sociedade indica a importância do mesmo como ator político[2].

O Fórum Social Mundial provocou o surgimento de Fóruns correlatos pelo mundo, como o Fórum Social das Américas, o Fórum Social Brasileiro, FS Alemão, FS Los Angeles, FS Catalão, FS Mercosul, FSM da Tríplice Fronteira, Fórum Social Mundial das Migrações, Fórum Social da Zona Sul de São Paulo e muitos outros. Entre os aspectos inovadores do FSM destacamos o fato do mesmo se constituir não enquanto instância burocrática, mas como articulação social em formato de rede.

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Acerca del autor
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Docente do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Universidade Metodista de São Paulo. Doutora em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Autora dos livros Relações públicas no modo de produção capitalista; Comunicação nos movimentos populares: a participação na construção da cidadania; e Televisão Comunitária: dimensão pública e participação cidadã na mídia local. Coordenadora do GT Comunicación Popular, Comunitária y Ciudadanía da ALAIC-Asociación Latinoamericana de Investigadores de la Comunicación e do Núcleo de Pesquisa de Comunicação Comunitária e Local (COMUNI). // Contacto: kperuzzo@uol.com.br

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