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Diciembre 2009 - Marzo 2010
N.79 |
Papel de los medios de comunicación en el proceso de integraciónVersus: A busca por uma identidade cultural latinoamericana Xenya de Aguiar Bucchini y Juliana Sayuri Ogassawara (Brasil)
Resumo Versus nasceu em 1975, no auge da imprensa alternativa brasileira (1975-1977), uma experiência jornalística efervescente durante a asfixia da ditadura militar (1964-1985). Debruçado sobre as questões da América Latina, o tablóide trazia um novo viés sobre a cultura, tateando uma identidade latino-americana. Na esteira dos jornais alternativos, Versus abria caminho para mais uma via possível ao jornalismo brasileiro, alinhando-se à “imprensa alternativa”, durante o Estado Autoritário, um momento em que “a imprensa sai de cena como ‘palmatória do mundo’ e ocupa o incômodo banco dos réus” (AQUINO, 1999: 157). É nesse enquadre contextual que se via o surgimento da imprensa alternativa (PEREIRA, 1986). À época, essa imprensa era como “um fogo-fátuo a iluminar as zonas obscuras do autoritarismo. Ela vive, ou sobrevive, nos regimes fechados em que o poder estabelece um controle cerrado do sistema de comunicação” (CAPARELLI, 1980: 41). A partir dessa perspectiva histórica do fenômeno alternativo, a atmosfera sufocante da censura e da repressão às atividades culturais e intelectuais atiçava ainda mais a busca por espaços para respirar novas idéias, inspirar transformações políticas e transpirar em manifestações sócio-culturais. Na emboscada entre a ditadura e a grande imprensa complacente, era preciso encontrar brechas para respirar: Brechas numa rede que estava sendo jogada. Por meio delas, iriam surgir os primeiros brotes da chamada imprensa alternativa. Espaço que se queria livre não apenas dos constrangimentos da ditadura, mas também das orientações dos donos dos grandes jornais (REIS FILHO, 2002: 441). Portanto, além do tenebroso espectro político, é preciso considerar que a indústria cultural e a grande imprensa – ilustrada pelos conglomerados Globo e Abril e pelos jornais Folha e O Estado de S. Paulo – evidenciam sua consolidação no Brasil na década de 60 (TASCHNER, 1992: 17). Assim, foi nos marcos de um capitalismo monopolista tardio e sob a égide de um regime político autoritário de controle militar, no qual boa parte dos direitos de cidadania foram restringidos ou inexistentes, que a indústria cultural viveu um período de grande desenvolvimento, o qual, em função de tal enquadramento, ganharia certa especificidade (TASCHNER, 1992: 105). O início da indústria cultural brasileira se afinou com o período ditatorial, porém, por outro lado o momento histórico abarcou ainda o florescimento da “imprensa alternativa”, que de 1964 a 1980 prosperou e sucumbiu com cerca de 150 periódicos. Lato sensu, a definição de “imprensa alternativa” abriga as publicações nas quais é presente a resistência contracultural (MICCOLIS, 1986: 3). Aglutinando intelectuais, jornalistas e setores de esquerda, a imprensa alternativa – designada ainda marginal, contracultural, “nanica, de leitor, independente e underground” (CHINEM, 1995: 7) –, era também um novo espaço de articulação social. Distante das políticas dominantes, encontrava-se na imprensa alternativa o desejo das gerações de 1960-1970 de protagonizar as transformações sociais de seu tempo. Gerações que “opunham-se por princípio ao discurso oficial” (KUCINSKI, 1991: XIII), articulando ainda “o desejo das esquerdas de protagonizar as transformações institucionais que propunham e a busca, por jornalistas e intelectuais, de espaços alternativos à grande imprensa e à universidade” (KUCINSKI, 1991: XVI). Assim, “resistência” era a palavra de ordem contra a ordem ditatorial e a grande imprensa predominante. Com essa palavra-chave, Versus se insere no fenômeno alternativo. Em outubro de 1975, alavancado pela mente inventiva de Marcos Faerman: [...] Versus nasceu de um delírio que eu tive em Cuiabá... Eu havia ido ao Mato Grosso fazer uma matéria para o JT e conheci Juruna... Cuiabá é o centro geodésico da América do Sul, o pôr-do-sol me encheu de emoção; me apaixonei pela idéia de um jornal que falasse dos índios, da América Latina, que tivesse aquele pôr-do-sol. Sonhei com um jornal que contasse a história dos povos da América Latina... que fosse realidade e ficção, de grandes histórias, narradas como histórias, e havia o fascismo na América Latina, havia Chile, eu queria um jornal que contasse a história da resistência na América Latina [...] (KUCINSKI, 2003: 254, grifo nosso). No ínterim de 1975 a 1979, foram lançadas as 34 edições de Versus. Inicialmente, o tablóide bimestral era modestamente vendido de mão em mão, mas aos poucos passou a ser distribuído em bancas de jornal de São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e outras cidades. Uma vez consolidada sua distribuição nacional, no seu apogeu em 1977, o jornal alternativo superou a marca de 35 mil exemplares vendidos, “graças, sobretudo, à originalidade e beleza de cada edição” (KUCINSKI, 2003: 250). Marcos Faerman estreou no jornalismo em 1961, no jornal Última Hora, que se tornaria o Zero Hora. Lá, ao lado de Luís Fernando Veríssimo, o jornalista criou um Caderno de Cultura, que já continha o gérmen criativo do que seria o projeto Versus. Passando pelo Jornal da Tarde e por publicações alternativas como Bondinho, Ex e Mais Um, Faerman buscava abrir um espaço para a grande reportagem. Descontente com a burocratização do jornalismo, Faerman imprimia em Versus a defesa constante de um jornal desgarrado de fórmulas e modelos, mas alinhado à clareza e precisão da reportagem. Além dele, importantes personagens da criação do jornal foram os jornalistas Moacir Amâncio, Percival de Souza, Wagner Carelli, Enio Squeff, Omar de Barros Filho. Depois vieram compor a equipe o jornalista Caco Barcellos e os intelectuais Bóris Schnaiderman e Modesto Carone. Três Versus A trajetória do jornal é marcada por três fases: inicialmente, a linha editorial se voltava para o passado, propondo “a cultura como forma de ação política” (da 1ª à 12ª edição); passa depois por uma fase de transição, dando mais ênfase à situação presente (12ª à 24ª edição), época em que publica o caderno dedicado à questão negra, “Afro-Latino-América”, que se tornou um espaço de aglutinação de militantes do movimento negro; finalmente, após claramente assumir o discurso politizado, o jornal passa a discutir a política nacional (24ª à 34ª edição). Pretendemos esquadrinhar uma análise de Versus, sobretudo em sua fase inicial e, portanto, brevemente perpassaremos os pontos principais de sua transição e de seu fim. É preciso lembrar que o declínio e o fim da imprensa alternativa é usualmente justificado pelo fim da própria ditadura, como se “sua única razão de existir fosse a resistência” (KUCINSKI, 1991: XXV). Entretanto: Além disso, é interessante atentar para o que a memória construiu em relação à imprensa alternativa. Ela vinculou umbilicalmente este tipo de jornalismo à censura, justificando o término de sua fase áurea com base na hipótese da inexistência de motivações para a sua continuidade, a partir da extinção da repressão (AQUINO, 1999: 23). Para além da redemocratização, na verdade, o que fez a imprensa alternativa definhar foi uma série de fatores truncados, dentre os principais estão: a debilidade econômica dessa imprensa que, marcada por uma aversão à estrutura capitalista, não atentava para a administração financeira; a dispersão dos jornalistas, intelectuais e ativistas políticos com a abertura política, o que tornou difícil manter unidas as diferentes vertentes esquerdistas, pois os partidos não precisavam mais conviver na imprensa, lançando cada um o seu próprio meio de comunicação; a imprensa tradicional investiu por um curto tempo na experiência do jornalismo considerado “crítico”, antes monopólio da alternativa. Jornais de ampla circulação como O Pasquim, Versus e Em Tempo optaram pela circulação nacional via editora Abril, mas as grandes distribuidoras impunham aos jornaleiros o pagamento adiantado pelas cotas de jornal que recebiam, além de se apoderarem de 40% da receita, fato que financeiramente debilitava ainda mais os alternativos. Mais um fator a ser lembrado é o sectarismo ideológico no interior das redações, expressa em divergências político-partidárias e ideológicas para os rumos tanto do jornal quanto do País. Há de se frisar que os atores sociais no “fazer jornalístico”, no entanto, “os alvos que procuram atingir são definidos antes da luta, mas o próprio movimento da história os leva, muitas vezes, a mudar de rumo” (CAPELATO, 1994). Seria o caso dos desvios trilhados pelos principais personagens da imprensa alternativa. Ao enfocar as questões políticas e, portanto, se politizar efetivamente Versus perde sua linha-mestra inicial. Destacamos que, em um primeiro momento, Faerman foi simpatizante do movimento da Liga Operária, mas sua inclinação brizolista o levava para caminhos opostos aos de seus companheiros. Ao mesmo tempo em que abriu espaço à notícia do lançamento do movimento Convergência Socialista, lançado pela Liga, Faerman concedeu amplos espaços a Brizola, “o herói de seu imaginário, o chefe da resistência gaúcha contra o golpe, o idealizador e comandante da campanha pela legalidade” (KUCINSKI, 2003: 263). Após as prisões de militantes da Convergência, Faerman decide abandonar o jornal, acompanhado por Vitor Vieira, Evaldo Lins, Mário Augusto Jacobskind e outros. Jorge Pinheiro, Omar de Barros Filho, Enio Bucchioni e Júlio Tavares ainda publicam nove edições do jornal – a última edição sairia em outubro de 1979. ... abrir artículo completo (versión PDF) Etiquetas: Imprensa Alternativa, Ditadura Militar, Identidade cultural latino-americana, Versus |
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Diálogos de la Comunicación N°79 ha sido elaborado en el marco del proyecto de cooperación UE – CAN SOCICAN “Acción con la sociedad civil para la Integración Andina”. El contenido de la misma es responsabilidad exclusiva de la Federación Latinoamericana de Facultades de Comunicación Social – FELAFACS y en ningún caso debe considerarse que refleja los puntos de vista de la Unión Europea o la CAN.